Por Gustavo Pereira
@gustapereira
Na era dos novos medicamentos injetáveis para emagrecer (como os agonistas de GLP-1), dos chás milagrosos e das dietas restritivas, a busca pelo corpo ideal virou uma corrida contra o tempo. Todo mundo quer ver o ponteiro da balança descer o mais rápido possível. Mas aqui está uma verdade desconfortável que quase ninguém te conta: a balança é cega. Ela não sabe distinguir se você está perdendo gordura ou músculo.
Quando você foca apenas nos números do visor, pode estar cometendo um erro grave contra a sua saúde. Perder peso a qualquer custo quase sempre significa perder massa magra (músculos). E OS MÚSCULOS, CARO LEITOR, SÃO O SEU MAIOR PATRIMÔNIO DE SAÚDE E LONGEVIDADE.
O “Preço” de cada método de emagrecimento
Estudos científicos recentes mostram que, independentemente do método escolhido para emagrecer, uma parte do peso perdido será de massa muscular. Veja a proporção do que vai embora além da gordura, conforme demonstrado por Ida et al. em meta-análise publicada no JAMA Internal Medicine em 2024:
Apenas fazendo dieta: 15% a 25% do peso perdido é músculo.
Com o uso de canetas emagrecedoras (GLP-1): 25% a 40% da perda pode ser de massa magra.
Cirurgia Bariátrica: Cerca de 31% da perda é de tecido muscular.
Isso significa que perder massa magra é uma resposta natural do corpo ao emagrecimento, mas nós podemos (e devemos) frear esse processo.
Músculo não é estética, é saúde viva!
Muitos pensam que ter músculos é preciosismo de quem frequenta a academia por vaidade. Grande erro. O tecido muscular é um órgão metabólico vital. Olhe o impacto real dele no seu corpo:
1. Proteção para o Coração
Um estudo com adultos acima do peso e diabéticos revelou um dado impressionante: quem emagreceu ganhando ou mantendo os músculos teve uma redução de 67% no risco de infartos e AVCs. Já quem emagreceu perdendo músculos não teve nenhum benefício cardiovascular significativo em comparação a quem continuou acima do peso. (Cai et al., 2024)
2. O Escudo da Longevidade
A falta de massa muscular aumenta o risco de mortalidade por todas as causas em 57%. E detalhe: quanto maior o Índice de Massa Corporal (IMC) da pessoa, mais perigosa é a falta de músculos. Em pessoas com obesidade e poucos músculos, o risco de morte chega a ser 2,5 vezes maior. É o que a ciência chama de “paradoxo da obesidade”. (Wang et al., 2023; Abramowitz et al., 2018)
3. Usina de Energia e Açúcar
O músculo é o principal responsável por queimar o açúcar que circula no sangue após as refeições. Menos músculo significa mais resistência à insulina, abrindo as portas para o Diabetes Tipo 2 e para o acúmulo de gordura em órgãos como o fígado (a perigosa gordura ectópica). (Aimelet & Holst, 2026)
O Perigo do “Efeito Sanfona” com os novos remédios
Um alerta importante para o cenário atual: muitas pessoas usam os novos medicamentos para emagrecer, perdem peso rápido (levando junto muita massa muscular) e depois interrompem o tratamento. O resultado? O corpo recupera o peso, mas recupera apenas em gordura, e não em músculo. Isso piora a composição corporal e deixa o metabolismo ainda mais lento, facilitando a famosa “sarcopenia” (fraqueza e perda de função muscular).
Como emagrecer com saúde? O Guia Prático
A boa notícia é que você pode blindar seus músculos seguindo três pilares simples e validados pela ciência:
Puxe ferro (Musculação): Praticar treinamento resistido de 2 a 3 vezes por semana é o fator mais importante. Em adultos mais velhos, a musculação foi capaz de prevenir 93% da perda muscular que ocorreria apenas com a dieta.
Capriche na proteína: Comer ovos, carnes magras, laticínios ou usar suplementos como o Whey Protein ajuda a segurar os músculos. A recomendação geral é de 1,2 a 1,6g de proteína por quilo de peso ao dia (ou uma meta prática de 80g a 120g de proteína diárias). Dica: proteína em excesso e sem treino vira gordura no fígado, então o equilíbrio é a chave.
Esqueça a balança comum: Procure profissionais que avaliem a sua composição corporal (através de exames como a bioimpedância ou o DEXA). O foco deve ser ver a gordura diminuir e a massa magra se manter firme.
Nota: Na sua próxima tentativa de emagrecer, mude a sua meta. Não busque apenas “ficar mais leve”, busque ficar mais forte e saudável. O objetivo de um emagrecimento inteligente é derreter a gordura e proteger seus músculos. Seu coração, seu metabolismo e o seu futuro agradecem!
Gustavo Pereira é Profissional de Educação Física e Personal Trainer com mais de 13 anos de experiência no mercado de saúde e fitness. Especialista em Gestante e Pós-Parto e Pós-graduando em Treinamento Feminino, atua fortemente no acompanhamento de mulheres, gestantes e mães, promovendo saúde, autonomia e fortalecimento seguro em todas as fases da vida.
Nesta coluna, busca desmistificar a atividade física e aproximar o público de uma rotina de exercícios baseada em evidências científicas, de forma clara, acessível e acolhedora.



