Por Jéssica Monteiro Lima
@psicologa_jessicamonteirolima
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O país inteiro está falando sobre a Copa do Mundo.
As pessoas estão organizando horários, antecipando compromissos, ajustando agendas e acompanhando a contagem regressiva para os jogos.
Mas existe um outro grupo de mulheres e homens que também estão contando os dias.
Dias para uma consulta.
Dias para um exame.
Dias para o resultado de um tratamento.
Dias para uma transferência embrionária.
Dias para uma tentativa que representa muito mais do que um procedimento médico.
Para quem enfrenta dificuldades para engravidar, o tempo costuma ter um significado diferente.
Enquanto para algumas pessoas uma mudança de agenda pode parecer apenas um contratempo, para muitos casais tentantes um adiamento pode despertar medo, ansiedade e uma sensação de perda difícil de explicar.
“Será que isso vai atrasar nosso tratamento?”
“E se perdermos este ciclo?”
“E se tivermos que esperar mais um mês?”
Esses pensamentos não surgem por exagero. Eles surgem porque, a jornada da fertilidade já é marcada por uma espera constante.
Espera pelo diagnóstico.
Espera pelos exames.
Espera pela consulta.
Espera pelo resultado.
Espera pelo teste positivo.
Com o passar do tempo, cada mês deixa de ser apenas um mês. Ele passa a representar possibilidades, expectativas e sonhos. Por isso, quando fatores externos geram mudanças ou incertezas, é natural que algumas mulheres e seus parceiros sintam a ansiedade aumentar.
Isso não significa que todo ajuste de calendário terá impacto real no tratamento. Mas significa que o impacto emocional dessa possibilidade existe e merece ser acolhido. A maior dificuldade não está na mudança em si, mas na sensação de falta de controle.
E esse ponto talvez seja um dos maiores desafios da jornada da fertilidade: aprender a conviver com aquilo que não pode ser completamente planejado.
Se você está vivendo essa ansiedade, talvez seja importante se perguntar: o que está me preocupando de forma concreta e o que estou imaginando que pode acontecer?
Buscar informações com a equipe médica, evitar antecipar cenários e encontrar espaços seguros para falar sobre seus medos pode ajudar a atravessar esse período com mais equilíbrio emocional.
Como psicóloga perinatal, acompanho pessoas que enfrentam os desafios emocionais da fertilidade e dos tratamentos para engravidar. Em um caminho marcado por expectativas, incertezas e esperas, cuidar da saúde mental também é uma forma de cuidado com o projeto de maternidade e da paternidade.
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Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



