Por Rony Cysney
Infelizmente, mais uma perda importante no cenário esportivo brasileiro. José Adilson Rodrigues dos Santos, o Maguila, morreu na quinta-feira (24), em Itu, interior paulista, após muito tempo sofrendo de Encefalopatia Traumática Crônica (ETC), também conhecida como demência pugilística, uma doença incurável. Em seu perfil no Instagram, a família publicou: “É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Adilson Maguila, uma figura emblemática e muito querida dentro e fora do ringue. Deixa um legado inestimável no esporte e na vida de muitos brasileiros. Maguila permanecerá vivo em nossas memórias e corações”.

O cérebro do ex-boxeador Maguila foi doado para estudos. O órgão agora faz parte do único banco nacional elaborado para estudar doenças neurológicas no Brasil, pertencente à Universidade de São Paulo (USP). O procedimento foi feito após o velório realizado nesta sexta-feira (25).
“Resolvemos ainda em vida mesmo a doação do cérebro dele para estudos por conta da doença. Fizemos isso ontem (24)”, disse Irani Pinheiro, viúva do ex-pugilista, durante a cerimônia fúnebre de Maguila. “A doação vai possibilitar estudos que possam encontrar mecanismos para atenuar a doença ou, eventualmente, até encontrar caminhos para curá-la”, disse o médico neurologista, Renato Anghinah, que cuidava dele. O gesto de Maguila pela ciência acompanha o mesmo ato de outros dois esportistas brasileiros: o jogador Bellini, capitão da seleção brasileira na primeira conquista mundial em 1958, e o também boxeador, Éder Jofre.

SOBRE MAGUILA
O peso-pesado nasceu em 12 de junho de 1958 em Aracaju, Sergipe. Sua carreira no esporte durou de 1983 a 2000. Das 85 lutas profissionais, ele venceu 77 – sendo 61 por nocaute -, sete derrotas e um empate técnico. Entre os confrontos mais comentados estão a famosa luta contra George Foreman, em que o americano nocauteou o brasileiro. O ex-boxeador foi comentarista de economia do programa “Aqui Agora”, do SBT, na década de 90. Ele também fez parte do elenco fixo do “Show do Tom”, programa humorístico da Rede Record, em 2004.
Antes de completar 50 anos, o lutador foi diagnosticado com Encefalopatia Traumática Crônica (ETC). Contudo, antes disso, um erro médico resultou no tratamento de Alzheimer até 2015, quando o neurologista Renato Anghinah começou a tratá-lo pensando no principal fator o que fez desenvolver a ETC: os golpes na cabeça que sofreu ao longo da carreira de boxeador.
Nunca vou esquecer das vezes em que ficava até tarde, aguardando suas lutas, na companhia do meu pai (in memorian). Meus sentimentos e abraços a toda família e amigos.
Por Rony Cysney
Fonte das fotos e pesquisa: g1.globo.com / www.alagoas24horas.com.br



