*Por Dr. Julio Cesar
@nagashimajulio
Quem convive com um cão sabe que ele faz parte da família. Ele comemora nossa chegada, percebe quando estamos felizes, acompanha nossa rotina e cria laços que vão muito além da convivência diária.
Por isso, não é raro ouvir um tutor dizer: “Doutor, acho que meu cachorro está com depressão.”
Mas será que é isso mesmo?
A resposta merece atenção.
Os cães podem, sim, apresentar mudanças importantes de comportamento. Eles podem ficar mais quietos, perder o interesse pelas brincadeiras, dormir mais, comer menos ou demonstrar menos entusiasmo pelas atividades que antes adoravam.
Essas alterações podem acontecer após mudanças na rotina, como uma viagem da família, a chegada de um novo animal, uma mudança de casa ou até mesmo a perda de um tutor ou de outro pet com quem conviviam.
Os cães criam vínculos muito fortes e sentem a ausência das pessoas e dos companheiros com quem compartilham o dia a dia. Embora não possamos afirmar que eles vivenciem o luto exatamente como os seres humanos, sabemos que essas mudanças podem afetar seu comportamento.
No entanto, existe um detalhe muito importante. Nem todo cachorro que parece triste está apenas sentindo saudade. Em muitos casos, esse comportamento pode ser o primeiro sinal de uma doença. Dor nas articulações, alterações hormonais, doenças cardíacas, problemas neurológicos, perda da visão, diminuição da audição e até o envelhecimento do cérebro podem fazer com que o animal fique mais quieto, isolado ou menos disposto.
É justamente por isso que nunca devemos concluir, apenas observando o comportamento, que o pet está “deprimido”.
Antes de pensar em um problema emocional, é fundamental investigar sua saúde.
Alguns sinais merecem atenção especial:
perda de apetite;
falta de interesse por brincadeiras;
isolamento;
excesso de sono ou dificuldade para dormir;
mudanças repentinas de comportamento;
vocalização diferente do habitual;
apatia por vários dias.
Se esses sinais persistirem, a orientação é procurar um médico-veterinário.
Após uma avaliação clínica e, quando necessário, exames complementares, será possível identificar se existe alguma doença causando essas alterações ou se realmente estamos diante de uma mudança comportamental relacionada ao ambiente e à rotina do animal.
A boa notícia é que, quando não há uma doença física, pequenas atitudes podem ajudar muito. Manter horários regulares para alimentação e passeios, estimular brincadeiras, oferecer enriquecimento ambiental, respeitar o tempo de adaptação do pet e dedicar momentos de atenção e carinho costumam fazer diferença na recuperação do seu bem-estar.
É importante lembrar que cães não conseguem nos dizer o que estão sentindo com palavras. Eles demonstram isso por meio do comportamento. Por isso, observar mudanças no dia a dia é uma das maiores demonstrações de cuidado que um tutor pode ter.
No consultório, costumo dizer que comportamento também é um sinal clínico. Quando um cão deixa de agir como sempre agiu, ele está tentando comunicar que alguma coisa mudou. Cabe a nós prestar atenção nessa mensagem.
Porque, muitas vezes, um cachorro aparentemente “Depressivo” não está apenas sentindo saudade. Ele pode estar pedindo ajuda.
*Julio Cesar é Médico Veterinário, especialista em Estética Animal, palestrante e terapeuta holístico. Atua na promoção da saúde e do bem-estar animal, com foco em medicina preventiva, comportamento e orientação de tutores, levando informação de forma simples e acessível para fortalecer o vínculo entre as famílias e seus pets.



