Por Rony Cysney
Ao som de “Acalanto”, canção de ninar composta por Dorival Caymmi especialmente para a filha quando ainda era criança, todos que estavam no velório, sexta-feira (02/05) homenagearam a artista.
Uma das maiores cantoras do Brasil, Nana morreu nesta quinta-feira (1º), aos 84 anos, na Casa de Saúde São José, no Humaitá, onde deu entrada em julho de 2024 para tratar uma arritmia cardíaca. Segundo o hospital, a morte se deu em decorrência da disfunção de múltiplos órgãos.
À TV Globo, a jornalista Stella Caymmi, uma das filhas de Nana, afirmou que o Brasil perdeu uma das 20 melhores cantoras do século XX e uma das cinco do século XXI.
“Eu perco a minha mãe, mas hoje o Brasil perde um pouco de bom da música brasileira. Ela era uma mulher corajosa. Nos criou com dignidade, valores, formou o nosso gosto para música. Ela era engraçada, espirituosa, surpreendente no modo de falar, era verdadeira, sem medo do politicamente correto”, destacou.

O músico Danilo Caymmi também destacou a importância da irmã para a música brasileira.
“Eu sinto como irmão, mas também como fã, como inúmeros fãs que a acompanhavam. A gente perdeu a grande intérprete Nana Caymmi”, destacou Danilo. Ele também conta que a irmã não tinha acesso a e-mail e redes sociais, e afirma que seus posicionamentos políticos eram superficiais. Foi manipulada. “A gente repudia o aproveitamento político que está sendo feito com relação a ela”, afirma. A cantora foi apoiadora de Jair Bolsonaro.
Gilberto Gil, que foi casado com Nana entre 1967 e 1969, foi ao velório acompanhado da esposa, Flora Gil. Emocionado, recebeu o carinho de amigos ao chegar no local.
“Um país historicamente feito de grandeza musical, ela representava tudo isso. Além do mais, foi uma querida em um momento muito importante da minha vida. Vivemos juntos, criamos os meninos dela. Uma querida. Muitas saudades (…) Inigualável, inigualável”, disse Gil.

NANA POR NANA
A artista, conhecida por sua versatilidade, transitou entre gêneros como bolero e samba, eternizando-se na história da música brasileira. Deixou uma das obras mais consistentes e emocionantes da MPB. Dona de uma voz grave e interpretativa, marcada pelo drama, ela protagonizou encontros musicais memoráveis ao lado de ícones como Tom Jobim, Erasmo Carlos, Ivan Lins e do próprio pai, Dorival Caymmi.
Mais uma grande perda para a música e cultura brasileira. Uma pena!
Por Rony Cysney
Fonte das fotos e pesquisa: veja.abril.com.br / g1.globo.com / Estadão / CBN News Brasil



