Por Rony Cysney
Na manhã e tarde de sexta-feira (27), vários amigos e colegas de trabalho foram velar o corpo do ator e diretor Ney Latorraca, no teatro Municipal do Rio de Janeiro. Ney, que morreu aos 80 anos, na quinta-feira (26), teve complicações durante o tratamento de um câncer, que retornou muito agressivo em agosto desse ano, após ter curado do primeiro câncer de próstata, surgido em 2019.
Começou cedo sua carreira de ator. Aos 6 anos, fez uma participação em uma radionovela da Record. Depois atuou no teatro estudantil e teve sua primeira oportunidade profissional em 1965, por volta dos 20 anos de idade, ao ser aprovado para integrar o elenco da peça Reportagem de Um Tempo Mau, de Plínio Marcos. A peça no entanto, teve apenas uma apresentação no Teatro de Arena, tendo sido proibida pela Censura Federal. O artista estreou na Globo em 1975 na novela “Escalada” e, ao longo da carreira, se destacou em novelas e programas humorísticos, como Quequé, em “Rabo de saia” (1984), o vampiro Vlad, em “Vamp” (1991) e Barbosa, em “TV Pirata”. 
Entre os papéis de destaque no cinema, consagrou-se interpretando o Padre Anchieta em Anchieta, José do Brasil (1976) e o protagonista Arandir no drama O Beijo no Asfalto (1980). Já nos palcos teatrais, encenou diversas peças, entre elas O Mistério de Irma Vap, montagem que permaneceu em cartaz por 11 anos e inspirou o filme Irma Vap – O Retorno (2006); em 2017, o ator reprisou o papel de Vlad no musical Vamp, antes de sua aposentadoria em 2019.
“Ator já nasce ator. Aprendi desde pequeno que precisava representar para sobreviver. Sempre fui uma criança diferente das outras: às vezes, eu tinha que dormir cedo porque não havia o que comer em casa. Então, até hoje, para mim, estou no lucro”, disse o ator em depoimento ao Memória Globo. 
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“Foram muito tranquilos [os últimos dias dele]. Mas foi um processo… Ele fez um tratamento que deu muito certo, só que agora, nesse último momento, na evolução da doença… Os médicos o trataram para não sentir dor. Ele fez uma passagem tranquila”, contou Edi, em depoimento publicado pelo Gshow.
Edi relembrou a dor da perda, mas também a sorte de dividir a vida com um gênio da dramaturgia. “É muito difícil, foi uma relação de 30 anos. Então, não é uma relação qualquer. Foi uma relação com muito amor. Ele dava entrevista e falava: ‘Eu vim para trazer alegaria, essa é a minha missão’. E acho que é isso que vai ficar, essa é a marca dele que vai ficar. Essa espontaneidade, alegria, forma e alegria de viver. O Ney era um ator completo”, refletiu o artista. Seu legado, ficará por toda eternidade. Obrigado, Ney!
Por Rony Cysney
Fonte das fotos e pesquisa: g1.globo.com / extra.globo.com



