Por Simone Baptista
Há uma pergunta que raramente fazemos a nós mesmos, advogados: será que a postura que sustentamos hoje é compatível com a advocacia que dizemos, em voz alta, querer construir?
Não é uma pergunta retórica. É um convite ao espelho.
Observe sua agenda. A forma como conduz o atendimento a um cliente. A maneira como apresenta seus honorários. O estado da sua mesa, a gestão do seu escritório, as pessoas com quem convive profissionalmente e, sobretudo, o que você faz quando ninguém está observando.
Feito esse inventário, a pergunta retorna com mais peso: existe coerência entre o advogado que você deseja ser amanhã e o profissional que você é hoje? Porque entre desejar uma advocacia de sucesso e efetivamente construí-la existe uma distância mensurável. Essa distância tem nome: postura.
O comportamento fala antes da estratégia
Acredito no poder da mente mas a experiência me ensinou que nenhuma mudança de pensamento se sustenta sobre os mesmos comportamentos de sempre. Convicção sem ação não constrói escritório. Desejo sem disciplina não constrói autoridade. Ambição sem postura não sustenta crescimento.
De nada adianta afirmar que se quer ser referência na área sem rever a forma como se estuda. De nada adianta desejar clientes que valorizem o trabalho entregue sem revisar a forma como se apresenta o valor desse trabalho. É precisamente neste ponto que muitos advogados travam: aspiram ao oceano de oportunidades, mas seguem tomando decisões de quem ainda se acostumou com as migalhas.
O reconhecimento é consequência, não pré-requisito
Há quem espere o reconhecimento chegar para, só então, agir como referência. Defendo o caminho inverso: primeiro assume-se a postura; depois, essa postura é sustentada por competência, estudo, ética e consistência. O reconhecimento vem como consequência não como condição.
Essa postura se manifesta no corpo: na segurança com que se conduz uma reunião, na clareza ao explicar uma estratégia, na tranquilidade de comunicar o valor do próprio trabalho. Não se trata de arrogância, mas de consciência profissional. Quem não reconhece o próprio valor dificilmente consegue comunicá-lo e quando o próprio advogado não acredita no que entrega, torna-se difícil esperar que o cliente acredite.
Talvez a porta já esteja aberta
Vale uma reflexão: quantas oportunidades passam diante de nós e permanecem intocadas simplesmente porque ainda não assumimos a postura necessária para atravessá-las? O contato, o convite, o conhecimento muitas vezes já chegaram. O que faltou foi decidir agir antes de ter todas as respostas prontas.
Advocacia exponencial não é advocacia parada à espera do cenário perfeito. É movimento com propósito.
Três decisões objetivas
Primeira: interrompa a terceirização dos seus resultados. O mercado pode estar difícil, a concorrência é real, o cenário muda mas a pergunta que permanece sob seu controle é: o que posso fazer melhor com o que já está em minhas mãos hoje? Essa pergunta devolve poder de decisão.
Segunda: comporte-se de acordo com o lugar para onde está indo. Quem deseja ser referência deve estudar, atender, organizar-se e comunicar-se como referência desde já, não apenas ao chegar lá. A postura é parte do caminho, não sua recompensa final.
Terceira: revise seu ambiente. Com quem você conversa sobre seus planos? Quem amplia sua visão e quem a reduz? Se, toda vez que você fala em crescer, alguém responde que é impossível, talvez esteja tentando construir uma advocacia nova dentro de um ambiente que só reconhece sua versão antiga.
Um exercício de honestidade
Divida uma folha em duas colunas. De um lado, descreva “o advogado que quero ser”: como atende, como se comunica, como cobra, como estuda, como reage diante de um problema. Do outro, descreva “o advogado que estou sendo hoje” com honestidade.
A distância entre as duas versões indica, com precisão, onde está o próximo passo do seu trabalho. Não é necessário mudar vinte pontos amanhã. Escolha um: uma postura, um hábito, uma decisão e comece.
A virada de chave antecede o resultado
Advocacia exponencial pressupõe aceitar o processo de transformação da própria identidade profissional antes de exigir a transformação dos resultados. O oceano de oportunidades está diante de nós; falta, muitas vezes, apenas a postura para atravessar a porta que já está aberta.
Não aceite migalhas quando existe um oceano diante de você. Levante a cabeça. Assuma a responsabilidade. Decida.
Você é uma advogada de sucesso!



