Por: João Vitor Neves de Oliveira
Instagram: @vjoao_neves
À medida que a Copa do Mundo se aproxima de sua reta final, um cenário volta a chamar a atenção. Entre as seleções classificadas para as quartas de final, seis representam o continente europeu. Na edição de 2022, cinco equipes da Europa chegaram a essa fase. Os números reforçam uma tendência que vem se consolidando nas últimas Copas do Mundo.
Diante desse cenário, a primeira reação costuma ser apontar a superioridade europeia. Mas talvez a discussão seja um pouco mais profunda. Esse domínio diz mais sobre a eficiência do futebol europeu ou sobre a dificuldade das seleções sul-americanas em acompanhar essa evolução?
Na minha visão, as duas situações caminham juntas, mas o principal fator está na consistência construída pelas seleções europeias. O sucesso não pode mais ser tratado como coincidência. Nas últimas cinco Copas do Mundo, quatro títulos ficaram com seleções da Europa, um retrospecto que evidencia um trabalho coletivo cada vez mais sólido.
Mais do que reunir grandes jogadores, muitas seleções europeias conseguem transformar talento individual em organização tática, planejamento e continuidade de projetos. A força do elenco deixa de depender apenas de uma geração talentosa e passa a refletir uma estrutura construída ao longo dos anos.
Enquanto isso, o futebol sul-americano ainda se apoia, muitas vezes, na capacidade individual de seus principais atletas. A história mostra que esse talento sempre existirá, mas o futebol moderno exige muito mais do que nomes de destaque. Exige estabilidade, planejamento e uma identidade coletiva capaz de competir com seleções que evoluem a cada ciclo.
Talvez o maior alerta desta Copa não esteja apenas na presença de seis seleções europeias entre as oito melhores do mundo. O verdadeiro sinal está na repetição desse cenário. Quando uma tendência se confirma edição após edição, ela deixa de ser coincidência e passa a representar uma mudança de equilíbrio no futebol mundial.
Se a América do Sul pretende voltar a dominar o principal palco do esporte, será necessário olhar menos para o passado glorioso e mais para aquilo que a Europa vem fazendo de forma consistente há mais de uma década.
Estudante de Jornalismo
Comentarista e Repórter da Rádio Outra Dimensão
Criador de conteúdo esportivo



