Por Ana Paula Maia Angélico
Advogada
Você já comprou ou vendeu produtos pela internet? Hoje, milhares de empresas e empreendedores utilizam marketplaces para expandir seus negócios e alcançar novos clientes. Essa facilidade trouxe inúmeras oportunidades, mas também um risco que muitas pessoas desconhecem: o uso indevido de marcas registradas.
É comum encontrar anúncios utilizando nomes, logotipos ou expressões associadas a marcas conhecidas com o objetivo de atrair consumidores. Em muitos casos, quem está anunciando sequer sabe que está cometendo uma infração. No entanto, a falta de conhecimento não afasta a responsabilidade jurídica.
Quando uma marca é devidamente registrada, seu titular passa a ter o direito de uso exclusivo dentro do segmento de atividade protegido. Isso significa que terceiros não podem utilizar sinais semelhantes capazes de causar confusão no consumidor ou gerar associação indevida com outra empresa.
Nos marketplaces, esse problema costuma ocorrer de diversas formas. Há vendedores que anunciam produtos utilizando marcas famosas para aumentar a visibilidade de seus anúncios. Outros comercializam produtos paralelos ou compatíveis e acabam utilizando indevidamente o nome de determinada marca. Também existem situações em que o empreendedor cria uma loja virtual sem realizar uma pesquisa prévia e descobre, posteriormente, que o nome escolhido já pertence a outra empresa.
As consequências podem ser significativas. Além da remoção dos anúncios, o vendedor pode receber notificações extrajudiciais, sofrer bloqueios em plataformas de venda e até responder judicialmente por perdas e danos. Dependendo do caso, os prejuízos financeiros e à reputação do negócio podem ser consideráveis.
Por outro lado, os titulares de marcas também precisam estar atentos. O ambiente digital ampliou a velocidade com que conteúdos são divulgados e reproduzidos. Por isso, acompanhar o uso da marca na internet tornou-se uma medida importante para preservar a identidade e o valor construído ao longo dos anos.
Antes de lançar uma marca, criar uma loja virtual ou iniciar vendas em marketplaces, é recomendável realizar uma pesquisa de viabilidade e verificar a situação do nome escolhido. Esse cuidado simples pode evitar conflitos futuros e garantir maior segurança para o crescimento do negócio.
Em um mercado cada vez mais competitivo, proteger a marca não é apenas uma questão jurídica. Trata-se de uma estratégia de valorização empresarial, credibilidade perante os consumidores e proteção do patrimônio construído com esforço e dedicação.
Afinal, no ambiente digital, uma marca pode levar anos para conquistar reconhecimento, mas apenas alguns minutos para se tornar alvo de problemas que poderiam ter sido evitados com prevenção e planejamento.
Ana Paula Maia Angélico
Instagram: @anapmangelico
Dra. Ana Paula Maia Angélico é advogada especialista em Direito de Família e Trabalhista e atua na área de Registro de Marcas, auxiliando empresas e profissionais na proteção jurídica de seus ativos intelectuais e fortalecimento de suas marcas.



