Por Dra Thayse Santos
@veridiana.mediciapericial
@dra.thaysesantos
Quando alguém ouve a expressão “perícia trabalhista”, muitas vezes imagina que o médico vai simplesmente procurar uma doença. Mas o trabalho pericial é muito mais amplo. O médico precisa compreender a história clínica e profissional daquele indivíduo e responder questões específicas relacionadas ao caso. Existe uma doença ou lesão? Quando ela surgiu? Como evoluiu? Existe relação com o trabalho? Há incapacidade? Existe limitação funcional? A condição é temporária ou permanente? Essas perguntas não são respondidas apenas olhando para um exame. A avaliação começa muito antes da conclusão.
O perito pode analisar documentos médicos, exames complementares, prontuários, relatórios, informações sobre a atividade profissional e outros elementos relevantes. Durante a avaliação, também é importante ouvir o trabalhador. A história contada pelo próprio indivíduo pode fornecer informações essenciais sobre o início e a evolução dos sintomas. Depois, quando pertinente, é realizado o exame físico ou psíquico. Tudo isso é analisado em conjunto.
Um exame de imagem pode mostrar uma alteração, mas a existência dessa alteração não determina automaticamente incapacidade. Da mesma maneira, a ausência de uma alteração importante em determinado exame não significa necessariamente que não existam limitações. É preciso relacionar os achados médicos com a funcionalidade. Por exemplo: uma alteração no joelho pode ter repercussões muito diferentes para quem trabalha sentado e para quem precisa permanecer em pé durante toda a jornada. Por isso, conhecer a profissão é tão importante quanto conhecer a doença.
A perícia trabalhista procura estabelecer uma ponte entre esses dois mundos: o que acontece com o corpo e o que o trabalho exige desse corpo. E essa ponte precisa ser construída com técnica, imparcialidade e fundamentação científica. O médico perito não está ali para defender uma das partes. Está ali para esclarecer, dentro de sua área de conhecimento, os aspectos médicos relevantes para o caso. No final, uma boa perícia não é aquela que simplesmente apresenta uma conclusão. É aquela em que o leitor consegue compreender como aquela conclusão foi construída. Porque, quando existe clareza no raciocínio médico, a prova técnica se torna muito mais útil para a Justiça.
Dra. Thayse Santos é médica pós-graduada em Dermatologia pela Sanar Pós, com atuação em estética médica, beleza e qualidade de vida. Une ciência, cuidado individualizado e valorização da naturalidade em sua prática.
Nesta coluna, traduz a estética médica para uma linguagem clara e acolhedora, trazendo informação, reflexão e cuidado para quem deseja se sentir bem na própria imagem.



