Por João Costa Bezerra
@psi.joaocosta
Você já se pegou pensando: “Eu sei exatamente o que preciso fazer para melhorar, mas simplesmente não consigo agir”? Se isso já aconteceu com você, saiba que a culpa não é da sua falta de força de vontade. A resposta está na forma como o seu sistema nervoso gerencia a sua sobrevivência.
Partindo da lógica biológica da evolução, todo ser vivo possui uma capacidade inata e inconsciente de escanear o ambiente. Mesmo sem perceber, nós, seres conscientes, temos uma percepção refinada desses espaços. É o nosso jeito de ver o mundo que diz ao cérebro se onde estamos é seguro ou perigoso.
A partir dessa análise silenciosa, o cérebro toma uma decisão vital: podemos nos abrir para expandir e aprender, ou precisamos nos fechar para nos proteger?
Qual é o verdadeiro combustível do seu comportamento?
Para mudar a rota, precisamos primeiro fazer uma pergunta incômoda, mas essencial: O que está fomentando as suas ações atuais? Qual é o combustível que alimenta esse comportamento que você tanto quer deixar para trás?
Nenhum hábito sobrevive sem combustível. Muitas vezes, o que alimenta as nossas reações automáticas não é a lógica, mas sim o medo, a necessidade de controle ou a busca desesperada por proteção.
Se o combustível que corre nas suas veias é a sensação de ameaça, o motor do seu comportamento sempre será a defesa. É por isso que não basta apenas tentar “forçar” uma nova atitude. Se você mudar a ação, mas mantiver o mesmo combustível, o sistema simplesmente entra em pane.
A Visão que você precisa construir antes de agir
Antes de tentar mudar o que você faz, você precisa mudar o jeito que você vê. É preciso construir uma nova visão de mundo e de si mesmo, sustentada por três pilares fundamentais:
A Visão da Realidade Atual: O ambiente onde você está hoje ainda é tão perigoso quanto o ambiente do seu passado? Ou você está usando os óculos da antiga ameaça para enxergar o presente?
A Visão de Auto acolhimento: Compreender que o comportamento que hoje te atrapalha (seja o isolamento, a procrastinação ou a agressividade) já foi a sua melhor estratégia de sobrevivência. Ele não é um defeito; é uma armadura antiga.
A Visão de Segurança: Treinar o seu sistema nervoso para reconhecer e absorver as pistas de segurança que existem no agora.
Guarde isso: Para a mudança acontecer, a percepção de segurança precisa ser maior do que a percepção de perigo. O comportamento novo só nasce quando o corpo entende que a guerra já acabou.
Referência Bibliografia
REIS, Ramon; ORTEGA, Francisco. Perspectivas neurocientíficas para uma teoria do trauma: revisão crítica dos modelos integrativos entre a biologia e a cultura.
MOCAIBER, Izabela et al. Neurobiologia da regulação emocional: implicações para a terapia cognitivo-comportamental. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 13, n. 3, p. 531-538, 2008
Mini Currículo
João Costa Bezerra, psicoterapeuta com atuação clínica voltada ao desenvolvimento emocional e à saúde mental. Utiliza uma abordagem integrativa que reúne TCC, DBT, Psicologia Analítica, atendendo crianças, adolescentes e adultos com foco em autoconhecimento e regulação emocional
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