Por: Nutricionista Davi Mascarenhas, Instagram: @davinutricionista
Durante o processo de emagrecimento, o ajuste proteico torna-se muito importante. Dietas hipocalóricas e com baixos teores de carboidratos aumentam o catabolismo muscular e aumentar o consumo proteico é uma das formas de amenizá-lo (em conjunto com um déficit não muito agressivo). Em uma dieta reduzida em calorias e carboidratos, as proteínas musculares podem ser degradas para síntese de glicose e de energia, embora esse último seja fornecido principalmente pelos ácidos graxos oriundos da lipólise. Portanto, a necessidade de proteína aumenta à medida que o déficit calórico aumenta.
Nesse sentido, um estudo publicado em 2013 buscou avaliar diferentes teores de proteína na composição corporal durante uma dieta hipocalórica por 31 dias.
As quantidades de proteínas foram 0,8 g/kg (quantidade recomendada pela RDA), 1,6 g/kg (2 x RDA) e 2,4 g/kg (3 x RDA). Foi mostrado que todos os grupos perderam peso, entretanto, a proporção de perda de massa gorda foi maior no grupo que consumiu 2 e 3 vezes a RDA, da mesma forma que a perda de massa livre de gordura foi menor. De forma semelhante, em 2005 foi publicado outro um artigo comparando duas dietas hipocalóricas em conjunto com exercícios sobre a composição corporal por um período de 4 meses. As dietas eram iguais em quantidade calórica (1700kcal/dia) e lipídeos (30%), mas diferiam na quantidade de carboidratos (< 1,5 g/kg vs > 3,5 g/kg) e proteínas (0,8 g/kg vs 1,6 g/kg). As comparações de exercícios foram atividades cotidianas (controle) e um programa de treinamento supervisionado (5 dias por semana caminhada e 2 dias por semana treinamento de força). O grupo alto em proteína e exercício perdeu mais peso corporal total e mais massa gorda, em conjunto com uma menor perda de massa magra, do que os grupos que consumiram a dieta mais alta em carboidratos e o grupo que consumiu a dieta mais alta em carboidratos em conjunto com exercício. Portanto, uma dieta alta em proteínas em combinação com exercícios, principalmente exercícios resistidos, melhora a composição corporal. É muito difundido acerca do excesso de proteínas ser ou não ser convertido em gordura. Para as proteínas se transformarem em gorduras, os aminoácidos precisam ser, primeiramente, convertidos em intermediários do ciclo de Krebs (os intermediários do ciclo de Krebs não apresentam nitrogênio em suas estruturas químicas). Nesse processo, há a retirada dos grupamentos aminos, que serão eliminados no ciclo da ureia, contribuindo para o aumento do gasto energético pela maior utilização de ATP. Há alguns trabalhos publicados na ISSN mostrando que o excesso de calorias advindo exclusivamente de proteínas não contribui para o ganho de gordura corporal. Entretanto, são estudos publicados na mesma revista e pelo mesmo autor, com um péssimo controle dietético, apresentando muitos vieses metodológicos. Certamente não podemos afirmar que o excesso de proteínas terá as mesmas repercussões que o excesso de carboidratos ou que o excesso de gorduras, entretanto, não podemos afirmar que o excesso de proteínas é inofensivo. O excesso de proteínas pode sim ser transformado em gordura, mas se esse fato irá ou não impactar na composição corporal irá depender da quantidade consumida. Além disso, na maioria das vezes não consumimos alimentos contendo apenas proteínas. Carnes, por exemplo, irão apresentar gorduras em sua composição, whey protein pode apresentar um pouco de carboidratos etc. Em uma dieta com superávit calórico, não há motivos para deixar a proteína elevada, justamente porque há menor necessidade de proteínas pela menor degradação proteica.
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Referências :Ebook Bioquimica do emagrecimento DUDU HALUCH



