Por Jéssica Monteiro Lima
@psicologa_jessicamonteirolima
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Chegamos ao mês de maio, e as campanhas começam a aparecer, as vitrines mudam, as mensagens se multiplicam.
“Feliz Dia das Mães.”
Para muitas mulheres, essa é uma data de celebração.
Mas, para outras, ela pode trazer um silêncio diferente, um espaço preenchido por perguntas, expectativas e um desejo que ainda não se concretizou.
Para mulheres que estão tentando engravidar, o Dia das Mães pode intensificar sentimentos que já estão presentes ao longo do ano. A espera, que muitas vezes já é atravessada por incertezas, pode ganhar mais peso diante de uma data que simboliza exatamente aquilo que ainda não foi possível viver.
Em alguns momentos, surgem pensamentos difíceis de ignorar.
“Se tivesse dado certo, meu filho já teria tal idade.”
“Eu já poderia estar vivendo essa fase.”
Se você está tentando engravidar e percebe que essas campanhas e mensagens do Dia das Mães despertam tristeza, frustração ou até um vazio difícil de explicar, saiba que isso faz sentido.
Esse incômodo não é exagero, ele fala de um desejo que existe, de planos que já foram imaginados e de uma espera que nem sempre é leve. Talvez, nesse momento, seja importante cuidar de você também: respeitar seus limites, reduzir o contato com conteúdos que intensificam a dor e buscar apoio em pessoas ou espaços onde você possa falar sobre o que sente, sem precisar se justificar. Nem tudo precisa ser vivido no mesmo ritmo que o mundo lá fora e tudo bem atravessar esse período do seu jeito.
O desejo de maternar, para muitas mulheres, começa muito antes da gestação. Ele se constrói nos planos, nas expectativas e nas histórias que cada uma imagina viver.
Datas como o Dia das Mães também funcionam como marcadores do tempo. Evidenciam a passagem dos meses, das tentativas, dos ciclos. E, com isso, podem trazer à tona um tipo de luto que nem sempre é reconhecido: o luto pelo que ainda não aconteceu. Além disso, as redes sociais podem intensificar essa experiência. As homenagens, fotos e declarações, embora genuínas para quem vive a maternidade, podem reforçar a sensação de distância entre a realidade vivida e o desejo de maternar. A comparação, nesses momentos, costuma surgir de forma quase automática.
É importante dizer: sentir tristeza nessa data não é fraqueza, nem ingratidão. É uma resposta emocional a algo que tem significado. O sofrimento não precisa ser justificado pela existência de uma perda concreta, ele pode existir também na espera, no desejo e na frustração.
Cada mulher vive esse momento de forma única. Algumas preferem se afastar de celebrações, outras buscam estar próximas de pessoas de confiança, e há aquelas que tentam atravessar o dia como qualquer outro. Não existe uma forma certa de viver essa data, mas pode ser importante respeitar os próprios limites e necessidades.
Criar espaços de acolhimento também faz diferença. Ter com quem falar, sem medo de julgamentos ou frases que minimizem a dor, pode ajudar a validar os sentimentos e acolher o que está sendo sentido.
Se você conhece alguma mulher, homem, ou casal de tentantes saiba que comentários como “uma hora acontece” ou “é só relaxar” não ajudam e, muitas vezes, podem aumentar o sentimento de incompreensão.
Nesse contexto, o acompanhamento psicológico pode ser um apoio importante. A terapia oferece um espaço seguro para olhar para essa espera, para os medos, para as frustrações e para as expectativas, ajudando a mulher a atravessar esse período com mais suporte emocional.
Nem todas as mulheres celebrarão esse dia e isso também precisa ser reconhecido e respeitado.
Porque, para algumas, o Dia das Mães não é apenas uma data.
É um lembrete de um desejo que ainda não foi realizado.
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Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



