Por Jéssica Monteiro Lima
@psicologa_jessicamonteirolima
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Depois que um bebê nasce, as perguntas costumam mudar.
“O bebê está dormindo?”
“Já começou a comer?”
“Está ganhando peso?”
“Como foi a adaptação na escola?”
E todas essas perguntas são importantes. Mas existe uma que, aos poucos, parece desaparecer: Como você está?
Muitas mulheres relatam que, depois da maternidade, passam a ser reconhecidas principalmente pelo papel que exercem. Tornam-se a mãe de alguém. Enquanto os olhares se voltam para o desenvolvimento da criança, elas seguem administrando uma rotina intensa, tentando conciliar cuidados, trabalho, casa, relacionamentos e inúmeras responsabilidades que nem sempre são percebidas por quem está ao redor.
Com o tempo, algo curioso acontece, a mulher deixa de ouvir essa pergunta e, muitas vezes, deixa de fazê-la para si mesma.
Ela aprende a perguntar se o filho comeu.
Se dormiu bem.
Se está feliz.
Mas esquece de perceber como ela própria está vivendo aquele momento.
Por meio da psicoterapia, compreendemos que nossas emoções estão diretamente relacionadas à forma como interpretamos as situações e às necessidades que reconhecemos ou deixamos de reconhecer. Quando vivemos no piloto automático por muito tempo, podemos perder a capacidade de identificar sinais importantes, como o cansaço, a irritação, a tristeza ou a sobrecarga. Por isso, desenvolver o hábito de olhar para si não é um gesto de egoísmo. É um exercício de autoconsciência, e esse costuma ser o primeiro passo para cuidar da saúde mental.
Autocuidado nem sempre significa reservar um dia inteiro para descansar ou fazer algo extraordinário. Às vezes, começa com pequenas perguntas:
Como eu estou hoje?
Do que estou precisando neste momento?
O que está consumindo minha energia?
O que poderia tornar meu dia um pouco mais leve?
Responder honestamente a essas perguntas também é uma forma de cuidado.
Outro conceito importante é o da autocompaixão. Pesquisas mostram que pessoas que praticam a autocompaixão tendem a lidar melhor com momentos de sofrimento, apresentam menores níveis de ansiedade e depressão e desenvolvem maior equilíbrio emocional. Autocompaixão não significa se conformar ou evitar responsabilidades. Significa tratar a si mesma com a mesma gentileza que ofereceria a uma pessoa querida.
Quando uma amiga diz que está cansada, você provavelmente não responde que ela deveria dar conta de tudo. Então por que costuma dizer isso a si mesma?
Nesta semana, deixo um convite simples.
Reserve cinco minutos do seu dia.
Pegue um papel ou abra o bloco de notas do celular.
Escreva apenas três respostas:
Como eu estou me sentindo hoje?
O que mais está pesando para mim neste momento?
Qual pequena atitude de cuidado posso oferecer a mim mesma ainda hoje?
Você não precisa resolver todos os problemas de uma vez. Mas reconhecer como está já é um importante passo para cuidar de si. Porque antes de ser mãe, profissional, esposa ou filha, existe uma mulher. E ela também merece ser ouvida.
Como psicóloga perinatal e profissional da saúde mental feminina, acompanho mulheres em diferentes fases da vida, ajudando-as a compreender suas emoções e construir formas mais saudáveis de lidar com os desafios do cotidiano. Cuidar da saúde mental também começa quando nos permitimos fazer uma pergunta simples, mas transformadora:
“Como eu estou?”
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Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



