Por Carla Perin
@cacaperin
Saiba reconhecer os sinais de alergia no seu pet e por que observar seu comportamento pode fazer toda a diferença.
Você já percebeu seu cachorro lambendo as patinhas sem parar, esfregando o rosto no sofá ou se coçando mesmo sem apresentar pulgas? Muitos tutores acreditam que esses comportamentos são normais, mas eles podem ser os primeiros sinais de uma alergia. Assim como nós, os animais também podem desenvolver reações alérgicas. E o mais curioso é que nem sempre essas reações aparecem da maneira que imaginamos. Um cachorro que lambe constantemente as patas, apresenta vermelhidão entre os dedos, coça as orelhas, esfrega o focinho ou desenvolve infecções de ouvido repetidas vezes pode estar manifestando uma doença alérgica. Em alguns animais, surgem falhas na pelagem, irritações na pele e um cheiro desagradável, especialmente quando existem infecções secundárias por bactérias ou leveduras. Existem diferentes causas. A dermatite alérgica à picada de pulgas é uma delas. Em animais sensíveis, poucas picadas podem provocar uma coceira intensa, mesmo quando o tutor não consegue encontrar pulgas. Outra condição bastante comum é a dermatite atópica, uma doença inflamatória da pele associada à predisposição genética e a fatores ambientais, como ácaros da poeira e pólens. Também existem as reações adversas aos alimentos, que podem provocar manifestações na pele e, em alguns casos, alterações gastrointestinais. Mas atenção: nem toda coceira é alergia! Sarnas, infecções, parasitas e outras doenças dermatológicas podem produzir sintomas semelhantes. Por isso, trocar a ração por conta própria, oferecer medicamentos ou utilizar pomadas sem orientação pode mascarar o problema e atrasar o diagnóstico. Observe a frequência dos comportamentos. Uma lambida ocasional nas patas pode ser normal. Mas quando o animal interrompe o descanso para se coçar, acorda durante a noite, apresenta feridas ou passa grande parte do dia lambendo determinada região, existe um sinal de alerta. Também vale observar quando a coceira aparece, quais regiões são afetadas e se há relação com passeios, estações do ano ou mudanças na rotina. Essas informações ajudam muito o médico-veterinário durante a investigação. O diagnóstico exige avaliação clínica e, dependendo do caso, exames complementares, controle rigoroso de parasitas e até uma dieta de eliminação orientada pelo profissional.
Dentro de uma família multiespécie, convivemos com nossos animais tão de perto que, às vezes, deixamos de perceber pequenas mudanças em seu comportamento. Acostumamo-nos com o cachorro que sempre lambe as patas, com aquele que vive coçando as orelhas ou com o animal que parece nunca conseguir descansar tranquilamente. E aquilo que se repete acaba sendo considerado normal. Pelo olhar sistêmico, podemos refletir sobre o lugar que cada membro ocupa na família e sobre a importância de reconhecer suas necessidades individuais. O animal não consegue nos explicar que sua pele está ardendo ou que a coceira está prejudicando seu sono. Mas seu corpo manifesta esse desconforto. E talvez uma das formas mais importantes de amar seja justamente aprender a observar aquilo que não pode ser dito em palavras.
Porque, às vezes, o que parece apenas uma coceirinha é um pedido silencioso de cuidado.
Carla Perin
Médica Veterinária Sistêmica
Terapeuta Multiespécie
Um olhar sistêmico sobre o vínculo entre humanos e animais



