Por Fabiana Ribeiro dos Santos
Em uma das formações que participei no Centro de Pesquisa e Formação do SESC, tive a oportunidade de estar próxima e conversar com uma grande referência em dramaturgia do nosso país, a atriz Giulia Gam. A mesma relatou ter iniciado sua carreira na adolescência, por volta dos 15 anos e durante as filmagens do filme “Primo Basílio” de Eça de Queiroz, em 1988, esta se viu diante de uma crise identitária em que absorta em sua vivência da personagem, passou a acreditar que assim como ela (a personagem), morreria também em sua vida pessoal. Relatou ter sido um momento extremamente exaustivo, em que sentia sua energia sucumbir. Necessitou ser assistida por um especialista em saúde mental e mediante a intervenção deste teve sua identidade retomada, terminou o trabalho e depois afastou-se para reestruturar se como ser.
No cenário vivenciado pela atriz, em consonância com o trabalho do psiquiatra, psicólogo ou psicanalista, entre outros, a Arteterapia teria um papel fundamental. Pois por vezes, as problemáticas atreladas aos processos emocionais e psíquicos não conseguem ser verbalizados por quem está vivenciando os fatos, e na Arteterapia através da materialização da produção artística, a compreensão de si, se torna visível e o entendimento das questões emocionais se tornam tangíveis. De forma que o indivíduo começa a enxergar se.
De acordo com Ângela Phillipini a Arteterapia constitui se num processo terapêutico que usa a mediação das modalidades expressivas, plásticas e artísticas para permitir que as pessoas produzam imagens que vão dar notícias de sua psique, do seu mundo interno, dos seus conflitos e na medida que isto está materializado, as pessoas tem um tempo para dialogar com estas mensagens que vem de níveis muito profundo da vida psíquica e compreender, elaborar, transformar e desta forma poder construir novas possibilidades de estar no mundo.
As atividades desenvolvidas no setting terapêutico em Arteterapia auxilia na integração de todas as partes da psiquê. Envolve o reconhecimento e a aceitação das dimensões conscientes e inconscientes do indivíduo, incluindo os conteúdos reprimidos ou fragmentados, promovendo um equilíbrio interno e a harmonização dos opostos psíquicos. Este processo não ocorre de forma linear e nem é imediato, acontece através das experiências simbólicas, sonhos, projeções e expressões criativas que permitem à pessoa tomar consciência de suas potências e limitações internas, organizando-as em uma estrutura integrada.
Portanto, as atividades com materiais expressivos (pintura, modelagem, colagem, música), oferecem um espaço concreto para que os conteúdos internos difusos se manifestem, se organizem e sejam elaborados simbolicamente, favorecendo a reconstrução da Self (totalidade da nossa mente/regulador da psiquê) e o desenvolvimento da individualidade.
Deste modo, a frase jargão midiática: “A arte cura”, corresponde a uma verdade, não é mito. Pois a arte dentro de um setting terapêutico, orientada pelo especialista em Arteterapia, com a utilização dos materiais adequados, pensados e preparados para atender a demanda do cliente/paciente e com toda a estruturação de uma sessão terapêutica, oportuniza a organização e regulação das emoções e dos sentimentos, fortalece a identidade, a confiança e a expressão da própria singularidade, proporciona o estímulo cognitivo, auxiliando na reabilitação neurológica, desenvolve a criatividade, oferece suporte no tratamento de transtornos psiquiátricos, depressão, ansiedade, dependência química, potencializa as habilidades motoras e auxilia na superação das limitações, promove o processamento de traumas e de experiências dolorosas de forma indireta, promove a verbalização do paciente através da materialização da atividade artística, promove a individuação e o autoconhecimento e alivia tensões e stress. Ressaltando que o processo artístico tem a funcionalidade de expressar através dos símbolos, o que está oculto no interno da nossa psique, não sendo considerado o caráter estético da obra.
Então, se estás se sentindo confuso, perdido em si mesmo, em um momento que te desconheces, a Arteterapia te ajuda neste reencontro de uma forma lúdica e extremamente prazerosa! Procure um arteterapeuta!
Fabiana Ribeiro dos Santos, pedagoga, psicopedagoga, neuroeducadora, especialista em Arteterapia, graduanda em Terapia Ocupacional, pós graduanda em Psicologia Ativa, gestão de Pessoas e Saúde no Trabalho, Pós graduanda em Artes e Ludicidade e em Análise do Comportamento ABA, palestrante e Proprietária do Espaço Essêntia.



