Por Antonio Junior
@antonio_souza.jr (Instagram)
RESUMO
Este artigo discute a relação entre identidade racial, pertencimento e aprendizagem no contexto escolar. Defende-se que a identidade é construída em relações sociais e que currículo, representatividade e experiências de reconhecimento participam desse processo. A partir de uma perspectiva neuropsicopedagógica, argumenta-se que desenvolvimento cognitivo, emocional, social e identitário devem ser compreendidos de forma integrada.
Palavras-chave: Identidade racial; Pertencimento; Aprendizagem; Educação antirracista; Neuropsicopedagogia.
Introdução
A escola participa da formação acadêmica, mas também da construção da identidade. É no contato com professores, colegas, conteúdos, imagens e referências culturais que crianças e adolescentes constroem parte das percepções sobre quem são e sobre o lugar que ocupam no mundo.
Representatividade e pertencimento
A identidade racial não se desenvolve separadamente das experiências sociais. O reconhecimento ou apagamento de determinadas histórias, culturas e personagens pode influenciar a maneira como estudantes percebem sua própria trajetória.
A Lei nº 10.639/2003 determinou o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira no currículo, incluindo a história da África, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e a contribuição da população negra para a sociedade nacional. (BRASIL, 2003).
Letramento racial crítico
O letramento racial crítico amplia essa discussão ao possibilitar que estudantes compreendam o racismo como fenômeno histórico e social. Não se trata apenas de ensinar conteúdos sobre diversidade, mas de desenvolver instrumentos para interpretar desigualdades, questionar estereótipos e reconhecer diferentes formas de pertencimento.
A legislação educacional brasileira também estabelece a consideração da diversidade étnico-racial como princípio da educação nacional. (BRASIL, 1996).
Identidade e aprendizagem
Sob a perspectiva neuropsicopedagógica, identidade, emoção e aprendizagem estão relacionadas. O estudante aprende em relações e experiências que possuem significado. Sentir-se reconhecido pode favorecer confiança e participação, enquanto experiências persistentes de desvalorização podem produzir insegurança e afastamento.
Produções recentes no campo da neuropsicopedagogia e também do pertencimento e da valorização da identidade no desenvolvimento cognitivo e emocional. (SOUZA JÚNIOR, 2026).
Considerações finais
Uma escola verdadeiramente inclusiva não pergunta apenas se o estudante está presente. Pergunta se ele é reconhecido, se participa, se encontra referências de sua identidade e se sente que também pertence àquele espaço. Aprender também é construir uma narrativa sobre si. E a escola tem responsabilidade importante para que essa narrativa seja marcada por dignidade, pertencimento e possibilidades.
No próximo encontro falaremos sobre: Quando a escola medicaliza o que deveria compreender: Dificuldades de aprendizagem e contexto social.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, 1996.
BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9.394/1996 para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira. Brasília, DF: Presidência da República, 2003.
BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº 9.394/1996, modificada pela Lei nº 10.639/2003, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Brasília, DF: Presidência da República, 2008.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Interseccionalidades das desigualdades raciais e socioeconômicas na perspectiva neuropsicológica: entrevista com o Grupo de Trabalho de Neuropsicologia do Conselho Federal de Psicologia. Psicologia: Ciência e Profissão, 2025.
Souza Junior, A. C. de. (2026c). Racismo institucional e desigualdade racial: Uma análise neuropsicopedagógica no contexto educacional. UICLAP.
Souza Junior, A. C. de. (2026b). Educação como direito ou privilégio? Uma análise racializada na interseção entre neurociência, psicologia e pedagogia. UICLAP.
SANTOS, Bianca Cristina Garcia. O impacto do racismo no desenvolvimento da aprendizagem: o papel do/a psicopedagogo/a institucional. 2025. Monografia de Especialização – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2025.
Antonio Junior é Mestre e Doutorando em Educação, neuropsicopedagogo, especialista em ABA para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), contador e escritor.

