Por: Clariana Grosso
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Vivemos em uma época em que tudo parece exigir rapidez. As mensagens precisam ser respondidas imediatamente, as tarefas acumulam-se ao longo do dia e a sensação de que estamos sempre atrasados tornou-se quase permanente. Não é por acaso que essa lógica da urgência também se manifesta no trânsito. Muitas vezes, o modo como dirigimos revela o ritmo acelerado com que estamos vivendo.
Quando a pressa assume o volante, pequenos contratempos transformam-se em grandes fontes de irritação. Um semáforo vermelho, um veículo mais lento ou um congestionamento inesperado podem despertar impaciência, impulsividade e até comportamentos agressivos. Nesses momentos, deixamos de responder conscientemente às situações e passamos a reagir automaticamente, conduzidos pela ansiedade e pelo estresse.
Do ponto de vista psicológico, a sensação constante de urgência mantém nosso organismo em estado de alerta. A liberação contínua de hormônios relacionados ao estresse pode reduzir a capacidade de concentração, prejudicar o julgamento e favorecer decisões precipitadas. No trânsito, isso significa menor atenção ao ambiente, aumento da impulsividade e maior risco de acidentes.
Sigmund Freud já apontava que a vida em sociedade exige a capacidade de tolerar frustrações e adiar satisfações imediatas. Esperar faz parte da convivência humana, embora nem sempre seja fácil. O trânsito, nesse sentido, funciona como um espaço cotidiano onde somos convidados a exercitar essa capacidade. Não podemos controlar o fluxo dos veículos ou o comportamento dos outros motoristas, mas podemos escolher como responder a essas circunstâncias.
Donald Winnicott, por sua vez, destacou a importância de ambientes que favoreçam o desenvolvimento da segurança emocional. Podemos ampliar essa reflexão ao compreender que também somos responsáveis por construir ambientes mais seguros em nossas relações diárias, inclusive no trânsito. Uma direção calma, respeitosa e empática contribui para um espaço coletivo menos hostil e mais humano.
É importante lembrar que, na maioria das vezes, alguns minutos economizados não compensam os riscos assumidos. A ultrapassagem imprudente, o excesso de velocidade ou a distração causada pela ansiedade podem ter consequências irreversíveis. Curiosamente, a pressa quase sempre nasce da ilusão de que precisamos controlar o tempo, quando, na realidade, o que podemos administrar é nossa maneira de lidar com ele.
Cultivar o equilíbrio emocional também significa desacelerar internamente. Respirar antes de reagir, aceitar os imprevistos e compreender que nem tudo depende da nossa vontade são atitudes que promovem bem-estar e segurança. Afinal, dirigir não é apenas conduzir um veículo; é também conduzir as próprias emoções.
Sou Clariana Grosso, formada há 20 anos, cursando especialização na Perinatal e da Parentalidade. Já auxiliei muitos pacientes com medo de dirigir. Se você também tem essa dificuldade, entre em contato comigo.
Imagem criada com ajuda da IA.



