Por Fabiana RIbeiro
@fabianaribeirodos805
Podemos considerar que as cores estão presentes em praticamente todas as experiências humanas, atravessando experiências culturais, históricas, sociais e linguísticas (Eva Heller, 2013). Esta afirmação explica por que nos identificamos com algumas cores e por vezes as usamos constantemente em nossas vestimentas, objetos, decoração, entre outros.
Presente na arte de forma extremamente significativa, as cores ultrapassam o significado estético e constituem-se em ferramentas de expressão, comunicação e elaboração simbólica.
Neste cenário a Psicologia das cores, que pode ser compreendida como o estudo acerca do modo como as tonalidades afetam as emoções, encontra-se com a Arteterapia. Pois, nos processos artísticos, a cor assume diferentes funções de linguagem, tornando-se parte da construção de uma narrativa visual singular. No entanto, é importante ressaltar que ao falar sobre Psicologia das cores, é comum transformar associações simbólicas em regras universais. Mas, é correto afirmar que não existe uma correspondência fixa em relação às cores e às emoções. Pois, a cor assume um significado próprio e subjetivo para cada indivíduo, de acordo com sua história e suas vivências momentâneas.
Me lembro de várias situações em que pessoas, mediante o fato de saber que atuo como Arteterapeuta, realizar questionamentos acerca do significado de determinado símbolo, representado em um desenho, ou da causa de estar constantemente usando determinada cor em suas vestimentas. Há uma necessidade de compreensão acerca de si mesmo, e isto é fundamental e necessário. O autoconhecimento é um dos pressupostos da saúde mental.
Todavia, entretanto, a Arteterapia não se fundamenta em associações simbólicas estáticas, isoladas e mecânicas. As cores, traços, formas e símbolos que surgem na produção artística são observadas de acordo com a subjetividade de cada indivíduo (paciente), dentro de um processo amplo.
As cores estão atreladas às emoções, mas devem ser analisadas dentro de uma condição, de um contexto, de uma história. A cor preta por exemplo está comumente associada à tristeza, depressão, o vermelho significa raiva, intensidade, enfim, estes conceitos podem ser diferentes, de acordo com a singularidade da pessoa e de sua vivência atual, o significado não está exclusivamente na cor, mas na relação estabelecida entre a pessoa e ela.
Portanto, em setting terapêutico, a cor possui relevância, pois está associada a percepção, preferência, associações emocionais e efeitos contextuais. No entanto, não é possível estabelecer uma regra universal, segundo a qual cada cor produzirá necessariamente uma determinada emoção ou revelará um determinado conteúdo psíquico. A experiẽncia cromática é complexa, pois cada pessoa constrói ao longo de sua vida, uma espécie de cartografia afetiva das cores. Quando a imagem fala por meio das cores, ela sugere caminhos para o diálogo e não respostas prontas.
A literatura em Arteterapia aponta para a necessidade de considerar a produção dentro do contexto da pessoa. Estudos sobre avaliação em Arteterapia destacam que a produção pode oferecer informações sobre sentimentos, percepção de si, relações familiares, ambiente e cultura, mas também apontam limitações e problemas metodológicos quando instrumentos ou critérios são utilizados de maneira descontextualizada.
Deste modo, todo cuidado é pouco para realizar as intervenções terapêuticas, uma experiência terapêutica acolhedora e bem conduzida, favorece a experiências de expressão, reflexão e elaboração.
As cores são indicadores emocionais e psíquicos, e auxiliam na compreensão do terapeuta acerca das necessidades dos seus pacientes. Porém, toda análise exige cuidado, escuta, observação, acompanhamento do indivíduo, conhecimento de sua história e entendimento da situação atual, momentânea. Estabelecendo diálogos objetivos e claros e a criação de vínculos pautados na confiança e no acolhimento.
Referências
HELLER, Eva. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: Gustavo Gili, 2013.
VALLADARES, Ana Cláudia Afonso. Arteterapia: humanizando os espaços de saúde. SP. Casa do Psicólogo, 2008.
CIORNAI, Selma. Percurso em Arteterapia: arteterapia gestáltica, arte em psicoterapia, supervisão em Arteterapia. São Paulo. Summus, 2004.
PHILLIPINI, Angela. Arteterapia, métodos, projetos e projetos. RJ. Wak, 2013.
Fabiana Ribeiro, Pedagoga, Psicopedagoga, Arteterapeuta, pós graduanda em Ludicidade e Artes, Psicologia Ativa, gestão de pessoas e saúde no trabalho, Análise do Comportamento ABA e graduanda em Terapia Ocupacional, professora na Rede Municipal de Cotia, radialista, palestrante e apresentadora de Podcast, entre Elas e Saberes na tv digital Rede Tríade TV.

