Por Aíres Lacerda
@aireslacerda.terapeuta
Leitura recomendável para todas as idades
Quando um jovem sorri em casa, se faz presente nas redes sociais, vai à escola, participa de atividades religiosas ou trabalha, pode parecer que tudo está bem. Mas muitas vezes, esse sorriso é máscara de uma dor que ninguém vê. Pais, mães, irmãos e parentes que convivem, vocês que amam de perto e às vezes percebem algo estranho, tipo: resistências, silêncio, mudanças sutis, isolamento, mas não sabem exatamente o que fazer, este artigo é para vocês. Porque o silêncio não é ausência de problema — é convite para olhar com mais sensibilidade.
Jovens que escondem o sofrimento o fazem movidos por medo: medo de serem julgados, rejeitados, de “dar trabalho”, de “serem fracos”. Esse medo paralisa. O jovem acredita que se revelar vulnerável, vai decepcionar expectativas familiares, sociais ou até pessoais. E esse tipo de ocultação não é desonestidade, é medida de proteção, porém muito dolorosa.
O sofrimento sozinho se torna pesado. A repressão das emoções, a vergonha ou a crença de que “precisa dar conta” carregam consequências invisíveis: ansiedade, depressão, autocríticas, sensação de inadequação. E em casos mais extremos, suicídio.
**Algumas das principais causas desse comportamento de esconder são:
Medo de julgamento familiar ou social – “o que vão pensar”, “vou decepcionar”, “não vou conseguir corresponder”.
Comparações e expectativas exageradas – com irmãos, colegas, redes sociais, com o que se espera que o jovem “já devesse saber ou conseguir”.
Falta de diálogo verdadeiro – notas, tarefas, sucesso lembrados; emoções raramente perguntadas ou acolhidas.
Estigma da saúde mental – depressão, ansiedade, pensamentos suicidas ainda carregam vergonha. Buscar terapia pode parecer uma fraqueza.
Pressões múltiplas – escola, emprego, religião, vida social, família; às vezes cobranças financeiras ou de desempenho então se acumulam e o jovem sente que não pode falhar.
**Infelizmente no Brasil o índice de suicídio entre jovens está cada vez maior
De acordo a Agência Brasil – A Fiocruz alerta que no Brasil, entre 2011 e 2022, a taxa de suicídio entre jovens cresceu cerca de 6% ao ano na faixa de 10 a 24 anos.
No mesmo período, as notificações de autolesões nessa faixa de 10 a 24 anos aumentaram em torno de 29% ao ano.
Entre crianças e adolescentes de 10 a 19 anos, são cerca de 1.000 suicídios por ano no Brasil (dados de 2012-2021), segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria.
A maioria desses casos está entre adolescentes de 15 a 19 anos, sendo que rapazes representam mais que o dobro de casos do que as mulheres nesse grupo.
Estudo também mostra que, entre 10 e 29 anos, suicídio passou a representar uma parcela cada vez maior das mortes — por exemplo, adolescentes (10-19) e jovens adultos (20-29) juntos têm uma porcentagem significativa de mortes atribuídas a suicídio entre todos os óbitos desse grupo etário.
Esses dados mostram que não é exagero se preocupar — é obrigação de cuidado.
**Estejam sempre atentos, isso gera um ciclo costumeiro:
Sinais sutis (isolamento, se trancar no quarto, tristeza, notas caindo, intensas atividades, apetite ou sono alterados)
Jovem oculta sentimentos por medo de julgamento (“não quero preocupar meus pais”, “não quero ser visto como fraco”)
Família percebe mudança, mas às vezes interpreta de modo superficial (rebeldia, preguiça, mudança de humor)
Falta de conversa aberta → jovem se distancia mais
Intensificação do sofrimento → pensamentos negativos, desesperança, sensação de não pertencimento
Em casos graves, risco de ideação suicida ou ação impulsiva, infelizmente muitas vezes nessa ação se perde uma vida.
**Ajuda prática para as famílias
Exercício da Conversa de Conexão- Ferramenta prática de Reprogramação Emocional
Objetivo: abrir espaço para diálogo seguro, sem medo de julgamento.
Escolha um momento tranquilo, quando todos puderem sentar e conversar sem pressa.
Use um gesto de abertura: perguntar como a pessoa realmente está, com uma frase como “Tenho percebido que você anda mais quieto/a — queria saber como você está por dentro, se quiser conversar”.
Ouça ativamente: sem interromper, sem aconselhar imediatamente, sem minimizar. Permita que o jovem fale e diga tudo que sente.
Refletir juntos: perguntar “o que você acha que pesa pra você agora?”, “o que posso fazer pra te apoiar?”.
Validar sentimentos: “Entendo que isso possa ser muito difícil”, “Obrigada por me confiar isso”.
Combinem pequenos passos de ajuda: uma consulta com psicólogo, conversar mais vezes, fazer algo juntos que ele goste.
Esse exercício ajuda a quebrar o silêncio, construir confiança, e mostrar que julgar não é o papel da família — acolher sim.
**Dicas que podem ajudar
Aprenda os sinais de alerta: isolamento, se trancar no quarto, intensificar ou perder o interesse em atividades, mudanças bruscas no sono ou apetite, uso de substâncias, desesperança.
Ofereça presença, mais do que conselho. Às vezes o jovem precisa de alguém que ouça, sem tentar “consertar”.
Crie ambiente de acolhimento emocional: casa onde se permite chorar, errar, falar sobre angústia.
Evite julgamentos ou comparações (“meu filho fulano nunca era assim”, “na minha época…”). Isso aumenta o medo de errar ou de se expor.
Busque ajuda profissional cedo: terapia, psicologia, psiquiatria quando necessário.
Esteja atento ao seu próprio cuidado emocional como familiar (pai e mãe) não negligencie seus sentimentos, quem cuida merece cuidados.
Seu jovem pode parecer indiferente, forte ou até “normal”, mas isso não garante que ele não esteja sofrendo. E muitas vezes, ele escolhe o silêncio porque teme machucar, parecer fraco, decepcionar ou ser mal interpretado. O amor familiar que faz a diferença é aquele que vê o invisível, pergunta o que dói, não espera que o problema se manifeste em gritos ou automutilação. Seja aquele porto seguro que oferece suporte, compreensão e espaço, isso pode salvar vidas.
Se você está percebendo sinais de sofrimento em um filho, irmão, sobrinho, primo amigo, ou se você mesmo se sente carregando essa angústia em silêncio — não deixe que o tempo aumente o peso. Meu método de terapias integrativas, reprogramação emocional e suplementação personalizada pode ajudar a abrir esse canal de comunicação, aliviar o sofrimento e construir um caminho de cura duradoura.
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Referências
Fiocruz. Estudo do Cidacs/Fiocruz Bahia: “Taxas de suicídio e de autolesão de crianças e jovens aumentam no Brasil entre 2011-2022.” (Agência Brasil)
Sociedade Brasileira de Pediatria. Dados de suicídio em crianças e adolescentes (10-19 anos), anos 2012-2021. (Agência Brasil)
Ministério da Saúde / Boletim Epidemiológico: suicídio como causa crescente de óbitos entre jovens. (Saúde MS)
ANF – Agência de Notícias das Favelas: depressão e suicídio; o papel da família em escutar sem julgar. (ANF)



