Por Jéssica Monteiro Lima
@psicologa_jessicamonteirolima
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O filho adoeceu.
Ela reorganizou a rotina, faltou ao trabalho, levou ao médico, resolveu o que precisava ser resolvido e, durante o dia, ela pensou por diversas vezes: “Você é forte, você precisa dar conta.”
Mas, naquele momento, o que ela mais queria era não precisar ser forte e não precisar dar conta de tudo sozinha…
A maternidade solo pode começar de diferentes formas. Algumas mulheres já iniciam a gestação sozinhas. Outras atravessam separações, ausências, perdas ou relações que não sustentaram a parentalidade como imaginavam. Independentemente do caminho que levou até ali, existe algo que muitas mães solos compartilham: a sensação de carregar o peso da maternidade quase inteiramente nos próprios ombros.
Existe amor, dedicação e vínculo. Mas também existe sobrecarga, cansaço emocional e, muitas vezes, solidão.
Enquanto muitas campanhas de Dia das Mães mostram apoio, divisão de tarefas e famílias idealizadas, algumas mulheres vivem uma maternidade onde não há com quem revezar a madrugada, dividir decisões ou simplesmente dizer: “hoje eu preciso de ajuda”.
E, aos poucos, elas aprendem a dar conta.
Mesmo cansadas.
Mesmo sem apoio suficiente.
Mesmo sem espaço para parar.
Mas é importante dizer: dar conta de tudo não significa estar bem.
Muitas mães solos vivem em estado constante de alerta, tentando equilibrar trabalho, maternidade, responsabilidade financeira e demandas emocionais. Estudos mostram que a ausência de rede de apoio e a sobrecarga parental estão associadas a maiores níveis de estresse, ansiedade e adoecimento emocional materno.
Ainda assim, muitas dessas mulheres seguem tentando fazer o melhor que podem todos os dias. E uma das partes mais difíceis, que costumo ouvir em minha prática clínica é justamente sentir que não podem falhar, porque não existe outra pessoa para assumir quando elas não conseguem.
Por isso, acolher mães solos também significa parar de romantizar a ideia da “mulher forte” o tempo inteiro. Porque existe uma diferença entre força e falta de opção.
Nenhuma mulher deveria precisar atravessar a maternidade inteira sozinha.
Neste mês em que tanto se fala sobre maternidade, também seja importante reconhecer essas mulheres que sustentam tanto e muitas vezes em silêncio. Mulheres que seguem cuidando, trabalhando, resolvendo e amando, mesmo quando estão emocionalmente exaustas.
E se essa matéria te tocou saiba que você pode buscar apoio psicológico especializado, você também merece cuidado.
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Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



