Por Marize Reges
Quantas vezes aprendemos que, para sermos felizes, precisamos primeiro encontrar alguém que nos ame? Crescemos ouvindo que o amor do outro é capaz de nos completar. Mas existe uma descoberta que chega, muitas vezes, depois dos 50, 60 anos: antes de querer ser amada por alguém, precisamos aprender a nos amar.
E não estou falando de um amor perfeito, daqueles que aparecem apenas quando estamos felizes com o espelho. Falo de um amor mais profundo: aquele que reconhece nossa história, respeita nossas escolhas e entende que não precisamos mais pedir licença para ser quem somos.
Amar a si mesma é olhar para as marcas do tempo e não enxergá-las como defeitos, mas como capítulos da própria história. É cuidar do corpo sem puni-lo. É se vestir como gosta, independentemente da idade. É se permitir mudar de opinião, começar algo novo, fazer planos e continuar sonhando.
Depois dos 60, talvez a vida nos ensine que não precisamos mais agradar todo mundo. Podemos escolher melhor nossas companhias, nossos ambientes, nossas batalhas e, principalmente, a maneira como queremos viver.
Gostar de si é se reconhecer. Amar-se é se respeitar. Adorar a mulher que você se tornou é celebrar tudo o que precisou superar para chegar até aqui.
E isso não significa deixar de amar um marido, filhos, família ou amigos. Pelo contrário. Quando aprendemos a nos amar, deixamos de colocar sobre o outro a responsabilidade de preencher aquilo que falta dentro de nós.
Talvez essa seja uma das maiores liberdades da maturidade: perceber que ainda temos muito para viver — e que a nossa própria companhia pode ser uma das mais importantes.
Então, se hoje você tivesse que escolher uma mulher para cuidar, admirar, valorizar e colocar em primeiro lugar na sua vida, quem seria?
Comece por você.
Porque uma mulher que aprendeu a se amar não fica invisível com o passar dos anos. Ela se torna cada vez mais presente, mais segura e mais dona da própria história.



