Por Marize Reges
Quem disse que lugar de mulher não é atrás de um volante? E quem determinou que dirigir profissionalmente é coisa de homem?
Durante muito tempo, algumas profissões foram consideradas exclusivamente masculinas. Mas os tempos mudaram, e as mulheres estão mostrando que competência, responsabilidade e coragem não têm gênero.
Hoje, encontrar uma mulher dirigindo um Uber é muito mais do que uma simples corrida. É encontrar uma mulher que decidiu assumir o volante da própria vida.
Muitas dessas motoristas são mães, esposas, avós, chefes de família ou mulheres que encontraram nessa profissão uma oportunidade de conquistar sua independência financeira. Algumas começaram por necessidade, outras por escolha, e muitas descobriram uma nova maneira de se reinventar.
E sabe o que acho mais interessante? A coragem de começar!
Porque não deve ser fácil enfrentar o trânsito, lidar com diferentes passageiros, trabalhar em horários variados e ainda conviver com o preconceito de quem acredita que mulher não tem habilidade para dirigir.
E quando essa motorista tem mais de 50 ou 60 anos? Aí aparecem dois preconceitos de uma só vez: o de ser mulher e o de ter passado de determinada idade.
Mas quem disse que existe idade para recomeçar?
Uma mulher de 60 anos pode dirigir, empreender, estudar, trabalhar, viajar e descobrir novas possibilidades. A maturidade não tira sua capacidade. Pelo contrário, pode trazer experiência, equilíbrio e segurança para enfrentar desafios.
É claro que a profissão também exige atenção às condições de trabalho, à segurança e ao respeito. Afinal, essas mulheres merecem exercer sua atividade com dignidade, proteção e reconhecimento.
O que precisamos entender é que uma mulher ao volante não está tentando ocupar o lugar de ninguém. Ela está ocupando o lugar que também é dela.
E isso vale para qualquer profissão.
Eu sempre defendi que nós, mulheres, não precisamos pedir autorização para viver nossos sonhos. Seja aos 30, 40, 50, 60 ou 70 anos, temos o direito de escolher nossos caminhos.
Talvez aquela motorista que você encontrou hoje esteja pagando a faculdade de um filho, realizando um sonho, sustentando sua casa ou simplesmente provando para si mesma que ainda é capaz de começar algo novo.
Por isso, na próxima vez que você entrar em um Uber dirigido por uma mulher, enxergue além do volante. Ali existe uma história de determinação, trabalho e coragem.
Porque mulher pode estar onde quiser. Inclusive no banco do motorista, conduzindo não apenas um carro, mas o próprio destino.
E deixo uma reflexão:
Se uma mulher é capaz de conduzir sua família, enfrentar dificuldades e reinventar sua própria história, por que não seria capaz de conduzir um Uber?
O volante é dela. A escolha também. E o respeito deve ser de todos.



