Por Jéssica Monteiro Lima
@psicologa_jessicamonteirolima
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Quando nasce um filho, nasce também um pai.
E a paternidade assim como a maternidade é construída no dia-a-dia.
Mas, enquanto muito se fala sobre as transformações vividas pela mulher, pouco se conversa sobre o que acontece emocionalmente com os homens que atravessam essa mesma fase.
Muitos pais passam a carregar uma lista silenciosa de responsabilidades:
Ser presente.
Prover financeiramente a família.
Cuidar da parceira.
Participar da rotina do filho.
Dar conta do trabalho.
Ser forte.
Não demonstrar insegurança.
E, quando sentem que não conseguem equilibrar tudo isso, surge uma pergunta que pesa mais do que deveria:
“Será que estou sendo um bom pai?”
Essa dúvida é mais comum do que parece. A chegada de um filho representa uma das maiores transições da vida adulta. Além das mudanças na rotina, surgem novos papéis, novas responsabilidades e uma necessidade constante de adaptação. Estudos mostram que esse período também pode ser marcado por estresse, ansiedade e sentimentos de inadequação, embora muitos homens ainda tenham dificuldade para falar sobre isso.
Por meio da psicoterapia, compreendemos que a forma como interpretamos uma situação influencia diretamente a maneira como nos sentimos. Quando um pai acredita que precisa estar disponível o tempo todo, nunca errar e conseguir atender a todas as expectativas, é natural que viva sob intensa autocobrança. Mas existe uma diferença importante entre buscar ser um bom pai e acreditar que precisa ser perfeito.
Pais reais se cansam.
Sentem medo.
Têm dúvidas.
Erram.
Aprendem.
E continuam construindo a relação com seus filhos todos os dias. Estar presente não significa participar de todos os momentos. Significa que, quando estiver junto, seu filho possa sentir que é visto, ouvido e amado.
Neste Dia dos Pais, quero deixar um convite para uma breve reflexão.
Pergunte a si mesmo: O que acredito que um bom pai precisa fazer?
Depois, faça uma segunda pergunta: Essa expectativa é realmente possível ou estou exigindo de mim mais do que exigiria de outro pai?
Esse exercício nos ajuda a perceber que, muitas vezes, somos muito mais rígidos conosco do que seríamos com alguém que amamos.
Os filhos não precisam de um pai sem falhas. Precisam de alguém que esteja disposto a aprender, reconhecer os próprios limites, demonstrar afeto e construir memórias ao longo do caminho.
A presença de um pai não se mede apenas pelas horas trabalhadas ou pelo que ele consegue oferecer financeiramente. Ela também está nas conversas antes de dormir, nas brincadeiras, nos abraços, nas pequenas demonstrações de cuidado e na segurança que transmite ao filho ao dizer, com atitudes: “Você pode contar comigo.”
Neste Dia dos Pais, desejo que cada homem possa celebrar não a perfeição, mas a coragem de aprender a ser pai um dia de cada vez.
Como psicóloga perinatal e da parentalidade acompanho mulheres, homens e casais nas transformações que acompanham a chegada de um filho. Cuidar da saúde mental também significa acolher quem cuida, fortalecer os vínculos familiares e lembrar que a parentalidade não exige perfeição. A parentalidade convida ao aprendizado, à presença e ao afeto. ___________________________________________________________________________________
Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



