Por Erika Ricci
Neste Dia dos Pais, talvez a lembrança mais valiosa seja aquela que fortalece um vínculo para a vida inteira.
Quando pensamos no Dia dos Pais, é comum imaginarmos presentes, almoços em família e homenagens. Mas existe um presente muito mais valioso do que qualquer objeto: a oportunidade de fortalecer a relação entre um pai e um filho.
A verdade é que ninguém nasce sabendo ser pai.
Assim como uma criança aprende a falar, a lidar com as próprias emoções e a se relacionar com o mundo, um homem também aprende a exercer a paternidade ao longo da vida. O problema é que muitos dos pais de hoje cresceram em uma época em que demonstrar afeto era visto como sinal de fraqueza, em que o diálogo era substituído por ordens e em que a presença emocional raramente fazia parte da educação.
Hoje esperamos pais participativos, afetivos, pacientes e emocionalmente disponíveis. E essa expectativa é importante. Mas também precisamos reconhecer que muitas dessas habilidades nunca lhes foram ensinadas.
Na psicologia sabemos que comportamentos tendem a se fortalecer quando são reconhecidos. Chamamos isso de reforço positivo. É o mesmo princípio que utilizamos para ensinar uma criança: quando valorizamos aquilo que ela faz de maneira adequada, aumentamos a probabilidade de que esse comportamento volte a acontecer.
Curiosamente, isso também vale para os adultos.
Quando um pai percebe que seus esforços são vistos, ele tende a se sentir mais motivado a continuar presente, brincar mais, conversar mais e participar mais da vida do filho. Não porque foi pressionado, mas porque compreendeu que sua presença faz diferença.
Isso não significa ignorar situações em que há negligência, violência ou ausência. Esses casos exigem responsabilização e, muitas vezes, intervenção profissional. Mas existe um grande número de pais que desejam acertar, mesmo sem saber exatamente como fazer.
Talvez este seja um convite para mudarmos a forma como construímos essa relação dentro de casa.
Em vez de esperar apenas o pai perfeito, podemos fortalecer o pai que está tentando aprender.
Uma criança que diz: “Eu gostei quando você brincou comigo.”
Uma esposa que comenta: “Percebi o quanto você se esforçou hoje.”
Ou até um simples abraço depois de um momento de conexão.
Essas pequenas experiências alimentam algo poderoso: o desejo de continuar presente.
A infância não precisa de pais perfeitos. Precisa de pais que continuem aprendendo, errando, reparando e crescendo ao lado dos filhos.
Neste Dia dos Pais, mais do que entregar um presente, talvez possamos oferecer algo que permanecerá por muitos anos: palavras que encorajam, atitudes que aproximam e momentos que se transformam em lembranças afetivas.
Porque as palavras que um pai ouve também ajudam a construir o pai que ele se torna.
E quando um pai cresce emocionalmente, quem mais ganha é a criança.
Érika Ricci – Psicóloga Clínica
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