Por Jéssica Monteiro Lima
@psicologa_jessicamonteirolima
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Ao longo deste ano, nesta coluna, conversamos sobre mulheres que tentam engravidar, gestantes, mães, pais, amamentação, sobrecarga, culpa, rede de apoio, relacionamento e tantos outros desafios e transformações nas famílias. São histórias diferentes, mas existe algo que atravessa todas elas: a saúde mental. E foi justamente nesse encontro entre as emoções e as transformações que envolvem a chegada de um filho que encontrei um novo caminho dentro da Psicologia.
No último dia 27 de agosto é celebrado o Dia do Psicólogo, pensando em toda a minha trajetória educacional e profissional que me inspirei para a matéria deste domingo. Minha trajetória profissional começou em outro contexto, trabalhando com pessoas e desenvolvimento no mundo corporativo. Durante a pandemia percebi que queria olhar para outras dimensões da vida e da saúde emocional. A Psicologia Perinatal surgiu ao longo deste caminho por meio da minha vivência como mulher tentante e fez sentido para mim buscar conhecimento e direcionar meus atendimentos com esse foco, porque reúne duas coisas que sempre estiveram presentes no meu trabalho: o cuidado com as pessoas e o olhar para as transformações da parentalidade que acontecem ao longo da vida.
Hoje, acompanhar uma mulher desde a tentativa de engravidar, passando pela gestação, parto e pós-parto, ou acompanhar um casal diante das mudanças da parentalidade, é compreender que nem tudo o que acontece nessa fase aparece nas fotografias.
Existe a alegria, mas também pode existir medo.
Existe o amor, mas também existe cansaço.
Existe expectativa, mas também existem dúvidas.
E todas essas experiências podem coexistir.
A Psicologia Perinatal olha justamente para esse lugar. Não apenas para o sofrimento quando ele aparece, mas também para a prevenção, a psicoeducação, o fortalecimento de recursos emocionais e a construção de espaços seguros para falar sobre aquilo que muitas vezes fica escondido. Esse cuidado é necessário.
A Organização Mundial da Saúde estima que quase 1 em cada 5 mulheres vivencie alguma condição de saúde mental durante a gestação ou no primeiro ano após o nascimento do bebê. A própria organização recomenda que a saúde mental seja integrada aos serviços de cuidado materno e infantil, criando espaços seguros e livres de estigma para que essas dificuldades possam ser reconhecidas e acolhidas.
Mas existe uma coisa importante nessa conversa: cuidar da saúde mental não significa esperar alguém adoecer. Podemos atuar na prevenção, poder perguntar durante o pré-natal: “Como você está?” É uma forma de olhar para além do bebê e enxergar a mulher, perguntar ao pai como ele está se adaptando, conversar sobre o relacionamento, sobre a divisão de tarefas, sobre a rede de apoio, sobre a culpa, sobre o medo de não dar conta. Permitir que uma mãe diga que está cansada sem precisar provar que ama o filho. Precisamos lembrar que uma pessoa pode estar feliz com a chegada de um bebê e, ao mesmo tempo, estar atravessando emoções difíceis.
É por isso que a Psicologia Perinatal tem se tornado cada vez mais relevante dentro de uma visão ampliada de cuidado. A ciência e as organizações de saúde vêm reforçando que o bem-estar emocional faz parte da saúde materna, do cuidado com o bebê e da experiência de toda a família. E essa é a maior mensagem que eu gostaria de deixar depois de tantos meses escrevendo esta coluna:
Quando nasce um bebê, não nasce apenas uma criança. Uma família vivência transformações, novas experiências e juntos vão aprendendo a cada dia. E cuidar dessa transformação também é cuidar da saúde mental.
Foi nesse caminho que encontrei um novo propósito dentro da Psicologia. E é por isso que falo sobre esses temas por aqui, porque por trás de cada tentativa, cada gestação, cada nascimento e cada história de parentalidade existe uma pessoa que também merece ser cuidada.
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Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



