Por Poetisa Thaisy Moraes
Instagram: @thaisymoraespoetisa
É amedrontador e, ao mesmo tempo, libertador compreender que a vida nunca segue em linha reta. Ela tem o dom das artes plásticas: desenha-se em curvas inesperadas, em desvios que, ao primeiro olhar, parecem atrasos, assemelham-se a obstáculos. Porém, com tempo de estrada e refinamento de pintura, percebemos que esses caminhos tortuosos nunca foram equívocos da nossa história, mas a própria edificação dela. Talvez, Da Vinci soubesse falar sobre este tema com a propriedade de um sábio, com o conhecimento de um polímata. Cada escolha, cada perda e cada recomeçar vão moldando um caminho que, silenciosamente, conduz-nos ao jardim secreto, belo, colorido e balsâmico de nós mesmos.
Nas paletas da vida, sempre há aquele momento que chega tão sutilmente e sem fazer algazarras. É o momento do alinhamento, da constatação de que há bênçãos no viver, de que há esperança no porvir e contentamento no presente. Os ventos da mudança resolvem soprar em nossas janelas. Eles vêm não para causar danos; passam apenas para arejar a casa. A oportunidade nos abraça e nós abraçamos a nós mesmos. Reconhecemos o encontro e a vida nos permite pintar uma tela colorida e viva. Esplendorosa. Michelangelo, certamente, experimentou desse desfrute. Bebeu da fonte dos tons vivos, das cores marcantes. Aliás, a diversidade da paleta somos nós que lapidamos. A vida deixou de ser resistência e mostra muito mais do que imaginávamos. Ela escancara possibilidades. Direcionamos corpo, mente e alma a favor do caminho. O nosso caminho!
Sentimos medo? Com certeza! Somos humanos! Van Gogh que o diga e, com todas suas dores, que exponha os seus temores. Aquela sombra da insegurança nos faz ter cautela, mas não há mais razão ou espaço para a estagnação. Temos coragem. Somos fortes. Ou parecemos fortes até que assim seja. Já sabemos que desistir não é nem um pouco coerente com as batalhas que vencemos até aqui.
A resiliência, palavra bela, passa a ser uma tatuagem impregnada na rotina diária. A consistência, fortaleza, é presente em cada passo, cada pincelada e na menor das ações. Acompanha o respirar. Conseguimos transformar cada dor, a desesperança, cada dia obscuro e os rabiscos e traços atravessados numa arte rebuscada. Entendemos as nuanças, compreendemos mais a técnica e os diferentes tipos de pincéis. Finalmente, aprendemos a pintar e renascemos no viver. Nossa obra está pronta. Vencemos, certamente.
Segunda tem aroma de rosa e poesia. Sendo assim, até lá!
*Thaisy Moraes é servidora pública municipal responsável pelo setor de Patrimônio do Município de São Carlos/SC, biomédica formada pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), escritora e poetisa há treze anos: “Escrevo há treze anos sobre tristezas e alegrias, e belezas e feiuras, tão presentes em nossa condição humana.”
** Este material possui imagem ilustrativa feita por Inteligência Artificial.



