Por: Dra. Priscila Maria Gabos
@psicologadocoracao
Durante muito tempo, falar sobre saúde significava apenas olhar para exames, pressão arterial, colesterol ou frequência cardíaca. Hoje, a ciência mostra que existe outro fator igualmente importante para o bem-estar: a forma como lidamos com nossas emoções.
Regulação emocional não significa controlar tudo o que sentimos, muito menos deixar de sentir tristeza, medo, raiva ou ansiedade. Significa desenvolver a capacidade de reconhecer essas emoções, compreendê-las e responder a elas de maneira mais saudável, sem agir apenas por impulso ou permanecer preso a estados emocionais intensos.
Quando não conseguimos regular nossas emoções, o organismo permanece em estado de alerta por mais tempo. O cérebro interpreta muitas situações como ameaças, ativando constantemente o sistema nervoso simpático e o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (eixo HHA). Como consequência, há aumento da liberação de cortisol e adrenalina, hormônios essenciais para a sobrevivência, mas que, quando permanecem elevados de forma crônica, favorecem inflamação, alterações do sono, piora da imunidade e sobrecarga cardiovascular.
Diversos estudos demonstram que o estresse crônico está associado ao aumento do risco de hipertensão arterial, doença arterial coronariana, arritmias e até eventos cardiovasculares graves. Ao mesmo tempo, a dificuldade em regular emoções também está relacionada ao desenvolvimento e à manutenção de transtornos como ansiedade, depressão e síndrome de burnout.
Em contrapartida, desenvolver habilidades de regulação emocional promove benefícios importantes para a saúde mental e física. Pessoas que aprendem a identificar suas emoções, tolerar o desconforto e responder de forma mais flexível aos desafios apresentam maior resiliência, melhor qualidade do sono, relações interpessoais mais satisfatórias e maior adesão aos tratamentos de saúde. O coração também responde positivamente: observa-se melhor controle da pressão arterial, redução da ativação excessiva do sistema nervoso simpático e uma resposta inflamatória mais equilibrada.
É importante destacar que regular emoções não significa reprimi-las ou manter uma postura de positividade constante. Emoções existem para comunicar necessidades, orientar comportamentos e favorecer a adaptação ao ambiente. O verdadeiro cuidado está em aprender a acolhê-las sem ser dominado por elas.
A boa notícia é que a regulação emocional pode ser aprendida. A psicoterapia baseada em evidências, técnicas de respiração, mindfulness, estratégias cognitivo-comportamentais, atividade física regular, sono de qualidade e vínculos sociais saudáveis são recursos que fortalecem essa capacidade ao longo da vida.
Investir na saúde emocional não é um luxo, nem um sinal de fragilidade. É uma estratégia de prevenção, promoção de saúde e qualidade de vida.
Quando aprendemos a regular nossas emoções, não fortalecemos apenas a mente. Damos ao coração a oportunidade de bater com menos peso, menos sobrecarga e muito mais saúde. Porque cuidar da saúde mental também é uma das formas mais inteligentes de cuidar da saúde cardiovascular.
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— Psicóloga do Coração | Psicologia e Cardiologia Integradas.
Sobre a autora
Priscila Gabos é psicóloga e doutora em Ciências pela USP, com atuação nas áreas de Psicologia e Cardiologia. Dedica-se ao estudo da relação entre saúde mental e saúde cardiovascular, desenvolvendo conteúdos, atendimentos e programas voltados para manejo do estresse, promoção do bem-estar e prevenção em saúde. É criadora do projeto Psicóloga do Coração, que integra ciência, cuidado e educação em saúde.



