Por Alexandre Angélico
Matemático e Economista
A possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial voltou ao debate global. Não como previsão fatalista e sim como exercício de análise. Como há muitos desfechos possíveis, vamos trabalhar com cenários independentes e probabilidades aproximadas. Desta forma, é possível entender como diferentes caminhos geopolíticos afetariam a economia brasileira. O risco militar direto para o Brasil é pequeno; o risco econômico, porém, varia conforme o cenário.
Cenário 1: vamos chamá-lo de “Escalada controlada”. É o que possui a probabilidade mais alta de ocorrer. Nele, conflitos permanecem regionais: Rússia e Ucrânia continuam em guerra, o Oriente Médio segue instável e a tensão entre China e Taiwan não evolui para confronto direto. Nesse cenário, o Brasil enfrenta efeitos moderados: energia mais cara, preços de fertilizantes pressionados e dólar volátil. A inflação permanece, mas não explode. Agronegócio e indústria sofrem com insumos mais caros, enquanto alimentação essencial e saúde permanecem resilientes.
Cenário 2: “Guerra entre grandes potências sem uso nuclear”. Neste caso, a probabilidade de ocorrência é média. Estados Unidos, China e Rússia entram em conflito indireto, com bloqueios marítimos e ataques convencionais. O impacto para o Brasil seria profundo: petróleo dispara, rotas marítimas ficam instáveis e exportações travam. A recessão global derruba os preços das commodities e afasta os investidores de países emergentes. Juros sobem, crédito encolhe e setores como logística, comércio exterior e tecnologia enfrentam forte retração. Já a energia renovável e os serviços locais resistem melhor.
Cenário 3: Aqui, consideraremos o caso de haver um “Conflito nuclear limitado”. A sua probabilidade de ocorrência é baixa. Armas nucleares táticas são usadas em regiões específicas, sem escalada global. O Brasil não vira alvo, mas sente o choque econômico: cadeias de suprimentos colapsam, semicondutores somem, o preço dos fertilizantes dispara e o dólar atinge altas históricas. A indústria de transformação e o agronegócio dependente de insumos importados seriam os setores mais prejudicados. Saúde e alimentação essencial continuam funcionando, mas com custos elevados.
Cenário 4: Aqui, mencionaremos “A Guerra nuclear global”. A destruição esperada será grande, mas a probabilidade de ocorrer, por outro lado é extremamente baixa. Este é o cenário que mais assusta, mas que analistas consideram quase impossível. O Brasil não é inimigo de potências nucleares, não possui bases militares de países estrangeiros e não integra alianças militares globais. A ameaça direta é praticamente nula. O impacto, porém, seria econômico: com o colapso do comércio internacional, haveria hiperinflação global, retração profunda e escassez de energia, tecnologia e insumos agrícolas. Todos os setores seriam afetados, exceto, talvez, os mais básicos.
Ao analisar esses cenários, uma conclusão se destaca: o Brasil não está no centro dos conflitos, mas é uma nação profundamente conectada à economia mundial. Enquanto o risco militar é mínimo, o risco econômico dependerá da intensidade da crise global. Em tempos de incerteza, a organização, o planejamento, a cautela com os riscos tomados, a diversificação produtiva e autonomia tecnológica são as nossas melhores defesas! Não contra bombas, mas sim contra os choques econômicos.
Alexandre Angélico
@alexandreangelico
Alexandre Angélico é Matemático e Economista formado pela USP e Mestre em Economia dos Mercados pelo Mackenzie.



