Por Karina Gubernati
@karinagubernatiarquiteta
O AMBIENTE NUNCA É NEUTRO – Ele nos afeta positivamente e negativamente.
Logo, o local que trabalhamos pode tanto nos gerar bem-estar, como causar doenças mentais e consequentemente, doenças físicas.
Conceituando historicamente esse processo:
O planejamento de escritórios ao longo dos anos, foi se moldando conforme a tecnologia foi avançando. A Revolução Industrial representa um grande marco na transformação desses espaços. Muitos anos depois, com a chegada da Internet, essas mudanças foram ainda maiores – os computadores exigiram profundas modificações na questão do espaço e do mobiliário de escritórios.
Hoje em dia, trabalhamos num tablet, num notebook e até mesmo num celular. Não pensamos tanto num ambiente físico rígido e individual, e sim em locais que são adaptáveis para diferentes pessoas trabalharem.
Mas, por outro lado, esse avanço tecnológico acabou gerando um stress generalizado. Essa necessidade de eficiência na produção, de acelerar os processos, de trabalhar sem jornada definida, está criando trabalhadores exaustos e pouco produtivos. Muito se exige dos funcionários em detrimento ao conforto, a flexibilidade e ao bem-estar.
“Nós moldamos os edifícios, e depois eles nos moldam” – reflexão de Winston Churchill, em 1943. O que quer dizer que a humanidade ficou sujeita as condições impostas por esses espaços. É uma mão de duas vias: a humanidade molda o meio ambiente, mas ao mesmo tempo, é moldada por ele.
Nos últimos anos, vimos um grande avanço dos distúrbios mentais relacionados ao excesso de trabalho, como o burnout. Só no primeiro semestre de 2025, foram mais de 6 mil afastamentos por transtornos mentais, no Brasil.
Empresas e escritórios que não investirem nesse assunto, perderão funcionários talentosos e produtivos.
Todos esses impactos refletem numa nova fase na evolução do PLANEJAMENTO de AMBIENTES DE TRABALHO. Os espaços terão que ser mais dinâmicos, interativos e voltados ao BEM-ESTAR dos seus usuários.
Abordagens como a NEUROARQUITETURA e como o DESIGN BIOFÍLICO nesses espaços, tornam-se urgentes!!
E, portanto ARQUITETOS especialistas nessas áreas são necessários.
Utilizando-se de várias estratégias, o arquiteto cria soluções voltadas para a saúde integral dos usuários. Algumas delas, como: espaços com presença de luz natural, ventilação adequada, mobiliário ergonômico, entre outras, transformam o ambiente propício as necessidades psicofisiológicas dos trabalhadores.
Ter uma vista para fora do edificação, e se possível para alguns elementos da natureza, é o melhor dos mundos. Traz relaxamento e diminui a ansiedade. É um dos princípios do DESIGN BIOFÍLICO.
Pra finalizar, mas não menos importante (prometo fazer uma outra matéria sobre o assunto), a SAÚDE MENTAL no TRABALHO será LEI a partir de maio de 2026.
É a LEI NR-1. Ela foi atualizada pelo Ministério do Trabalho e agora obriga as empresas a incluírem riscos psicossociais no seu plano de prevenção.
Um ambiente mais humanizado e acolhedor, com certeza protege a saúde mental dos trabalhadores.
*Sou arquiteta, especialista em Design Biofílico, com vários ambientes transformados
Karina Gubernati
Contato:(11) 99176-1876
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